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11 dezembro, 2006

HIKONE – Fui um dia sozinha a Hikone para ver o castelo e o jardim de Genkyu-en. Do cimo do castelo de Hikone, propriedade da família Ii (mal se sai da estação depara-se com a estátua de Ii Naomasa, o primeiro senhor de Hikone Han) e um dos melhores castelos samurai do Japão, pode avistar-se o Lago Biwa, o maior do país. Durante a Batalha de Sekigahara, o senhor feudal de Hikone, Ishida Mitsunari, foi derrotado e o seu castelo destruído. Alguns anos mais tarde, Naotaka Ii, o segundo senhor da região, com o apoio do governo Tokugawa, mandou erguer o Castelo de Hikone no monte Konki. O castelo possui três andares e torreões que são Património Mundial. O interior é também um museu. Podem apreciar-se máscaras Nô e uma reconstrução, com os materiais originais, do palco Nô usado pela família Ii.
Do belíssimo jardim de Genkyu-en, construído pelo quarto senhor de Hikone, Naoki Ii, obtém-se uma das melhores vistas do castelo. Encontram-se aqui os aposentos da família Ii. É um deslubramento de lagos, pontezinhas, edifícios de madeira com telhados de colmo, verdura, peixes multicolores.
Comendo onigiri (triângulos de arroz com diversas iguarias no interior – vegetais, animais marinhos – e embrulhado numa folha de alga), visitei ainda os templos situados do lado oposto da via-férrea, sobretudo para chegar a um dos mais notáveis jardim de pedras e gravilha (karesansui), o Fudaraku-no-niwa do templo de Ryotanji. O Ryotanji situa-se no sopé do monte Sawayama, onde outrora se erguia o castelo de Ishida Mitsunari. Lá se encontra uma sala para a cerimónia do chá e pinturas célebres de Kyoroku Monikawa, discípulo de Matsuo Basho, o poeta de haiku do Período Edo. Pode ver-se também uma colecção de Daruma, o talismã de boa sorte “sempre-em-pé”. São bonecos ocos, sem pernas ou braços, que representam Bodhidharma, o sábio indiano que viveu no séc. VI ou VII a. C. e que foi o fundador do budismo zen. Na altura de comprar o boneco, ele apresenta apenas um olho. Formula-se um desejo. Se este se cumpre, pinta-se o segundo olho.
O Chojoji/Ohara Benzaiten é um complexo de templo e santuário cujo trabalho de gravação em madeira só é ultrapassado pelo Toshoku de Nikko, o mausuléu de Tokugawa Ieyasu (ver adiante). Aliás, os gravadores pertenciam à mesma Escola.
Em Hikone, várias crianças me cumprimentaram: konnichiwa! (Bom dia!) ou herô! (a versão japonesa de hello), mas um rapazinho de uns dois anos ficou tão espantado a olhar para este exemplar exótico da raça humana que tropeçou e bateu com a cabeça no chão.

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