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11 dezembro, 2006

HIMEJI – No carro do pai, a Yoshida-san levou-me a Himeji, a cinquenta quilómetros de Kobe, ao som dos Southern All Stars: “Oh my babe Yokohama no neya, kokoro kara…”
É em Himeji que se situa o mais magnífico dos castelos samurai. Lá estava ele, em todo o seu esplendor, no cimo da colina Himeyama, elevando-se suavemente, “como uma garça branca preparando-se para levantar voo”, segundo a comparação favorita entre os japoneses, inspirada sobretudo pela riqueza de variações nos seus telhados. Do topo avista-se a cidadezinha de Himeji, com as suas casinhas frágeis enterradas em colinas verdejantes. O castelo foi posse de treze famílias de guerreiros, entre os quais Hideyoshi Toyotomi e sofreu diversas transformações e ampliações ao longo dos tempos. Tal como o vemos hoje, data do ano de 1609. Trata-se de uma das mais velhas estruturas militares sobreviventes do Japão medieval e a mais bem preservada. Himeji foi bombardeada no final da Segunda Guerra Mundial. A área adjacente ficou completamente devastada mas o castelo escapou quase incólume. O Castelo de Himeji é célebre devido aos seus esquemas defensivos, complexos e extremamente eficazes. Tendo sido concebido para confundir e levar o inimigo à exaustão, é quase impenetrável. Lembro-me de me impressionar com as portas de Himeji. De madeira com ferrolhos de ferro negro, tinham uma aparência robusta e bela a um tempo. Lembro-me também de me impressionar com a sua altura. Os japoneses de então não eram realmente nada altos. É fabuloso percorrer as ruelas labirínticas do castelo e reparar em todas as seus recursos de defesa: as seteiras, as vigias, aberturas para lançar pedras e água a escaldar, mil e uma estratégias para manter o inimigo ao largo. Quase inexpugnável e, no entanto, tão belo e de aparência tão leve que é comparado a uma ave capaz de voar e erguer-se nos céus. Creio que Himeji, na sua estranha fusão de pulsão guerreira e apuradíssima estética, reflecte bem o modo de ser japonês.

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