É meu!

É meu!
Pare com o roubo de conteúdo!

15 dezembro, 2006

OSAKA – Era a primeira noite de Agosto e eu despedia-me da família Hide. Tomei uma camioneta para Osaka. No dia seguinte, chegava à cidade, onde me aguardava, vinda de Nara, a minha amiga Yoshida Naoko. E ainda não eram sete da manhã! Fomos tomar o pequeno-almoço e pôr a conversa em dia. A seguir, tratar de formalidades no consulado da China. Finalmente livres, tínhamos umas horas para ver Osaka, pois passaríamos a morar em Kyoto a partir dessa noite. Osaka é uma cidade gigante, de cimento e betão, um pouco como Tóquio e, como este, cenário de muitas reviravoltas históricas. Sendo uma cidade portuária, a sua tradição comercial é longa, mas distingue-se também em áreas culturais como o teatro kabuki e o bunraku, o teatro de marionetas. O Metro é o mesmo labirinto de linhas públicas e privadas com que se depara em Tóquio. Claro que a compra e verificação dos bilhetes é automatizada, mas perde-se tempo, por outro lado, a decifrar as linhas nos mapas das redes, isto até para os próprios japoneses.
O castelo de Osaka é uma construção moderna – após a Segunda Guerra Mundial – modelada pela antiga de 1590, apenas oito anos antes da morte de Hideyoshi Toyotomi. No seu tempo foi o mais formidável dos castelos samurai. Foi construído sobre as ruínas dos domínios da seita budista Jodo Shinshu, o templo Ishiyama Hoganji. Por sua vez, este havia sido construído sobre as ruínas do velho Palácio Imperial de Nanion, o antigo nome de Osaka. Em 1570, Oda Nobunaga, o estupendo conquistador do Japão, começou um cerco ao templo que duraria dez anos, até que foi arrasado e Hideyoshi ergueu então o seu castelo. Visto do exterior, não deixa de impressionar mas, no interior, transformado em museu, os visitantes deslocam-se de… elevador. Plantado a meio de um parque, construíram arranha-céus descomunais à sua volta. Havia uma exposição sobre a vida de Hideyoshi, a sua meteórica ascensão social e feitos de guerra. Existe também um biombo (palavra derivada do japonês byobo) nanban mostrando comerciantes portugueses em poses descontraídas, junto dos seus navios ancorados no porto (provavelmente Nagasaki). O ponto focal de um castelo (shiro) japonês é o tenshukaku, a torre, e o seu ponto forte a fundação de argamassa e lajes da base. O tenshukaku era não só o símbolo do poder do daimyo que lá residia. Sobreviveram apenas doze tenshukaku originais até ao nosso tempo.
Era agradável passear no parque adjacente, pesando embora os zumbidos infernais das cigarras. As cigarras japonesas devem ter as gargantas mais possantes da espécie e zumbem ferozmente a intervalos regulares durante todo o Verão. As suas carcaças povoam o chão como folhas de Outono. São tantas e tão competitivas que chega a ser difícil conversar tendo como ruído de fundo o seu estridente cantar. Os japoneses, esses, parece estarem habituados e as crianças adoram persegui-las, munidas de redes. Passear entre as sombras das árvores era uma bênção. O calor era tórrido e húmido. Trata-se de um arquipélago e a água nunca anda muito longe. Igual bênção eram as máquinas automáticas de vender bebidas. Há-as no Japão de cinco em cinco metros, vendendo toda a espécie de bebidas a troco do depósito de uma moeda; há também as que vendem snacks, cigarros, gelados, revistas pornográficas, manga e até roupa interior.
Num pavilhão desportivo, desenrolava-se uma competição inter-escolas de Kendo (a Via da Espada) e Judo (a Via Suave). O fascínio do Kendo provém do facto de ser inspirado na arte da espada dos antigos samurais.
Foi com este passeio que deixámos Osaka e tomámos o comboio para Kyoto.

Sem comentários: