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25 janeiro, 2007

BUSHI & SAMURAI -

TRIBUTO AOS MEUS GUERREIROS FAVORITOS
(Estes desenhos são dedicados ao meu cyber-amigo Laurent, autor do blogue The Last Samouraï, em http://thelastsamourai33.spaces.live.com/ que, como eu, é admirador dos fabulosos samurai)























BUSHIDO: A VIA DO GUERREIRO

Samurai com kabuto (elmo). O primeiro verdadeiro kabuto surgiu na época Sengoku (Estados Guerreiros) mas atingiram a sua maior diversidade e espectacularidade no Período Mamoyama. Os cornos de metal chamam-se kuwagata e começaram a ser parte integrante do kabuto desde a época Kamakura. O cobre-nuca de cinco tiras chama-se shikoro. Hoje em dia, os kabuto são muito cobiçados por coleccionadores.

Mon. Os mon são emblemas familiares utilizados desde a época Kamakura. Apenas a aristocracia, civil ou militar, os podia possuir. Serviam para ser reconhecido durante as batalhas. Podem representar animais, flores, caracteres, normalmente inscritos numa figura geométrica de maneira estilizada e a preto e branco.

Samurai. Os samurai deviam arvorar uma expressão severa e altiva, pois estavam mais perto dos deuses do que o resto da sociedade. Os samurai (à letra, servidores) surgiram em 1615 e eram funcionários armados, uma espécie de força da ordem. Obedeciam a senhores e a sua principal tarefa era gerir os seus domínios e interesses. Constituiam uma aristocracia que governava o país por conta do Xógun, o Generalíssimo. Antes deles e desde 1185, havia os Bushi (guerreiros). Estes eram homens de guerra cujo destino era o combate. Tinham como objectivo principal engrandecer o poder do seu clã.

A flor de cerejeira (sakura) foi a flor escolhida pelos samurai para os simbolizar. O seu reinado é breve, uma a duas semanas da Primavera; a vida dos samurai também deveria ser breve e terminar com uma morte honrosa no campo de batalha. Além disso, a flor de cerejeira desprende-se com simplicidade do ramo, sem passar pelo processo de apodrecimento. O samurai devia igualmente deixar esta vida com graciosidade, sem medo ou relutância. A sua morte era "a morte louca". A sakura é a imagem da precariedade da vida e do desapego dos bens mundanos; a sua cor branca ilustra a pureza de alma desejada pelos samurai. Um conhecido ditado exprimia a simbiose entre eles e esta flor: "Entre todas as flores, a flor de cerejeira; entre todos os homens, o guerreiro".
À esquerda encontra-se uma citação do Hagakure ("Escondido na folhagem"), o Código de Honra dos Samurai, escrito por Jocho Yamamoto no séc. XVIII: "O Bushido (A Via do Guerreiro) é o desespero. Uma pessoa que esteja pronta para fazer seja o que for, indiferente ao perigo, não pode ser morta nem por dúzias delas. Os grandes empreendimentos não podem ser feitos com sensatez. Torna-te louco e desesperado."

As armaduras dos samurai podiam contar com máscaras metálicas de terríveis feições para melhor amedrontar o inimigo. No entanto, nunca foram populares, devido ao facto de serem pouco cómodas.
Samurai com kabuto (elmo) de 12 placas, típico do séc. XVI. A espingarda já tinha sido introduzida no país pelos portugueses (1543) e os kabuto começaram a ser confeccionados à prova de bala.

Sapatos de batalha tsuranuki de um grande general.

Samurai do séc. XVI envergando kabuto e armadura (o-yoroi) para uma batalha.

Máscara (so-men) para complemento de uma armadura, utilizada para aterrorizar o inimigo.

Samurai em traje de corte. Os mon eram estampados na roupa, além de nas bandeiras, para identificação do clã.

Horagai. Horagai eram conchas que, tal como os taiko (tambores), serviam para difusão de ordens no campo de batalha, onde se encontravam geralmente milhares de soldados.

Samurai usando um suo, indumentária semi-formal diária para as classes altas. Este padrão de tecido era vulgar.

Um cavalo de batalha. O guerreiro (bushi), o seu cavalo e o seu arco deviam tornar-se um. Os atavios para cavalos, como as selas, atingiram grande beleza estética.

"Torna-te louco e desesperado" (Hagakure). Samurai em plena batalha.

Tambor de guerra (taiko). Serviam para difundir ordens no campo de batalha.
O grande daimyo Takeda Shingen (séc. XVI). Os daimyo eram guerreiros proprietários de vastos territórios, de linhagens influentes, capazes de manter um exército importante. Takeda Shingen levou uma vida de constantes batalhas mas o seu génio militar impediu-o de alguma vez ser derrotado. Foi o último grande opositor da tentativa de unificar o Japão, por parte de Oda Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieyasu. Costumava usar um kabuto enfeitado com crinas de cavalo. A sua figura é retratada no famoso filme de Kurosawa Akira, "A Sombra do Guerreiro" (Kagemusha).

Duelo samurai ao entardecer. A mais nobre das lutas era feita com a espada (katana), num duelo corpo a corpo. A mestria no manejo da espada requeria um árduo e longo treino.

Guerreiro com arco (yumi). O arco, a arma nobre por excelência, era característica do Bushi (guerreiro) da época Heian. A Via do Arco e do Cavalo era então a principal arte marcial. Ao seu protagonismo sucedeu o da espada mas apenas 300 anos depois. O arco era utilizado a cavalo e a sua forma sinuosa e assimétrica, assim como a extensão (2,20 a 2,30 metros), reflectem esse propósito. O arco japonês é feito de bambu e madeira e a corda é de seda. O som da sua vibração permite determinar a qualidade da arma. As flechas (ya) também são de bambu e podem atingir um metro de comprimento. As penas na extremidade, que permitem o equilíbrio em voo, são de águia nas flechas de qualidade superior.
O arco e a flecha eram os instrumentos de duas práticas de inspiração zen que requeriam concentração e autodomínio: o yabusame (tiro ao arco a cavalo) e o kyudo (a Via do Arco, a pé).
Kago hankyu (meio-arco) com a aljava para as flechas. Estes arcos diminutos serviam para ser utilizados no espaço restrito dos palanquins nos quais os nobres viajavam.


A katana do samurai era usada à cintura. Rodeava-a uma aura mística. Era a "alma do samurai" e honravam-na como a um kami (divindades xintoístas). O seu fabrico também era rodeado de rituais de carácter religioso. Além da espada longa, o samurai transportava a espada curta, a wakizashi. Só os samurai podiam ostentá-las a ambas ao mesmo tempo. A wakizashi servia no combate corpo-a-corpo, mas também para cortar a cabeça dos inimigos e para cometer seppuku, o suicídio ritual. O samurai nunca podia perder a sua espada - desonra terrível.
Tsuba (guarda de sabre). A confecção de tsuba atingiu um grande nível estético e apresentavam enorme variedade de estilos, temas e formas. Existem coleccionadores apenas de tsuba.

A katana, espada samurai. O texto consiste nas primeiras frases do Hagakure, o Código de Honra dos Samurai: "O Bushido (a Via do Guerreiro) é realizado na presença da morte. No caso de ter de decidir entre vida e morte, deve-se escolher a morte. Não há outra maneira de pensar."

Um dos tipos de ponta da lâmina de uma espada longa (katana).

Ponta de flecha (ya no ne). Havia-as de múltiplas formas e com centenas de diferentes decorações. Eram fabricadas por especialistas.

Penteado característico dos samurai adultos: rapado na parte da frente do crâneo e com uma espécie de trança (sakyaki) com um nó sobre a fronte. O penteado dos filhos dos samurai que ainda não eram adultos diferia apenas no facto de não raparem a cabeça.

Samurai em traje diário segurando um leque de guerra (gunsen). Os gunsen eram usados para dirigir as tropas.



Sashimono. As sashimono eram bandeiras estampadas com diversos motivos que se usavam plantadas nas costas da armadura samurai como identificação dos diversos clãs durante uma batalha. Esta era a de Oyamada Nobushige, um dos famosos trinta e quatro generais do daimyo Takeda Shingen.
O texto da esquerda é uma citação do Hagakure: "Um guerreiro só pode cumprir o seu dever se for corajoso mas conservar em si tanta misericórdia e compaixão que o seu coração quase rebenta. " O treino de um samurai tornava-o implacável na luta mas cuidava também da grandeza da sua alma. Devia respeitar o inimigo que se submete, ser generoso e clemente. Havia que permanecer impassível perante os fortes, mas comover-se perante os vencidos. O credo do samurai era "Não tenho armadura: a benevolência e o dever são a minha armadura." Além deste conjunto de qualidades imperiais, a grandeza espiritual do samurai revelava-se muitas vezes na arte e na estética (poesia, pintura, caligrafia, cerimónia do chá, ikebana, etc). Devia tornar-se um homem completo, fisica e espiritualmente.

Samurai com armadura e sashimono de penas de papel, de modo a ser facilmente identificado na batalha.
Samurai cometendo seppuku (ou harakiri: "cortar a barriga"). Só duas espécies de morte eram honrosas para o samurai: a morte no campo de batalha e o suicídio ritual para salvar a própria honra ou a do seu senhor. O rito do seppuku tinha, pois, um grande alcance espiritual. O guerreiro ajoelhava-se com o tronco descoberto e esventrava-se com o kusungobo (punhal), arrastando lentamente a lâmina da esquerda (lado lunar, yin) para a direita (lado solar, yang) e virando-a depois para cima, em direcção ao abdómen. A barriga, e não o coração, é a sede da alma, das emoções e da energia para os japoneses. O suicida dominava a dor tal como havia dominado as paixões em vida. Devido ao autodomínio e à serenidade perante a morte, adquiria o respeito dos que ficavam. O seu acto permaneceria indelével na memória das futuras gerações. Um assistente (kaihakunin) foi depois introduzido para terminar o ritual, cortando a cabeça ao suicida e minorando o seu terrível sofrimento.

Samurai morto no campo de batalha. Esta era uma morte honrosa para um samurai - a morte em plena vida e não por doença ou velhice.
"O amor não é profundo se o declararmos em vida. Um amor secreto na morte tem uma graça profunda. É melhor morrer com o amor secreto." (Hagakure)
Desenhos a lápis de cera sobre caderno de 10x7 cm. 1999.