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22 julho, 2007


O PAÍS DOS MATSURI (FESTIVAIS)



Matsuri em Miyasaki. Foto Asahi Shinbun.



Os japoneses não são considerados um povo especialmente divertido; bem pelo contrário, conhecemos melhor a sua faceta de trabalhadores compulsivos. No entanto, o Japão é provavelmente o país que mais festivais (matsuri) celebra durante o ano. Diz-se até que, seja qual for o dia, decerto haverá um festival em qualquer parte. Em certos dias, a celebração é nacional.
matsuri que envolvem milhares de pessoas e outros que envolvem apenas uma pequenina comunidade; há os que duram dias e os que duram somente horas; há os que acompanham celebrações rurais e os que acompanham celebrações urbanas; há-os solenes e há-os divertidos. Muitos matsuri relacionam-se com o cultivo do arroz porque este constitui a verdadeira fundação da cultura japonesa. Outros honram divindades guardiãs de clãs ou cidades, vilas, distritos. Outros ainda celebram a história ou cultura nacional.


Empoleirada nos ombros do pai, esta menina leva nas mãos feixes de arroz para apelar por uma colheita abundante. Festival Onda-sai, Quioto. Foto de Gorazd Vilhar.


A faceta séria e perfeccionista dos nipónicos, todavia, também se manifesta através dos matsuri. Estes são amiúde trabalhosos e prova de uma extrema exigência estética. Transpiram esforço e, muitas vezes, celebram o esforço. São uma exibição espectacular de cor, símbolos, trajes, antiquíssimos ritos. E são, sobretudo, uma forma de veneração, um encontro feliz do povo japonês com o divino. A palavra matsuri deriva do verbo matsuru, que significa precisamente venerar, adorar.
Originalmente, os matsuri eram uma prática xintoísta, mas acabaram por incorporar ritos ligados ao calendário de origem budista e chinesa. Elementos budistas e xintoístas estão vulgarmente presentes em qualquer um deles. Os matsuri ocupam um lugar de honra na vida dos japoneses e contribuem para a sua forte identidade espiritual. Menosprezando-os, não será possível uma compreensão profunda desse povo. Constituem a ocasião para conseguirem uma comunhão com os seus deuses e espíritos ancestrais; para reconhecerem um passado comum que recua até tempos míticos; para celebrarem a natureza e o renovar incessante das estações, que são excepcionalmente marcadas no seu país; e para, simplesmente, divertirem-se com a família e os vizinhos, reafirmando os laços comuns e providenciando uma pausa no trabalho e na vida regrada do dia-a-dia. O facto de os japoneses conseguirem manter vivas tantas tradições deve-se, em grande parte, a estas celebrações.



Crianças efectuando uma dança ritualizada de agradecimento aos deuses por uma boa colheita. Zuiki Mtasuri, Quito. Foto de Gorazd Vilhar.


O Xintoísmo (shinto, a Via dos Deuses) é visto pelos nipónicos como um modo de vida espiritualmente integrado. A sua origem perde-se na noite dos tempos. O tema central é a veneração pela força da vida, a natureza, e pela deusa Amaterasu Omikami, criadora da natureza e progenitora da linhagem imperial japonesa. É a Grande Divindade Iluminando o Céu, a Deusa do Sol. Os deuses xintoístas, cujo número é imenso, chamam-se kami. São manifestações presentes em todas as coisas, animadas e inanimadas e prevalecentes em todos os aspectos da vida humana. Estão inextrincavelmente ligados à psyche japonesa, de tal maneira que se diz que, sem o Japão, não haveria Xintoísmo e, sem o Xintoísmo, não haveria o Japão. É, portanto, um factor crucial de identidade nacional. O funcionamento do mundo é visto como sendo fruto da cooperação dos kami e dos seus crentes, em prol da harmonia social com a qual os deuses se comprazem.
A hegemonia do Xintoísmo começou por ser tão completa que nem sequer possuía um nome que o designasse. Apenas com a difusão do Budismo (através da China e da Coreia, no séc. VI d.C.) foi necessário baptizá-lo, de modo a diferenciá-lo da doutrina recém-chegada. Após uma rivalidade inicial, depressa o Xintoísmo e o Budismo estabeleceram a base para uma duradoura coexistência pacífica. Os deuses xintoístas são vistos, muitas vezes, como manifestações locais das divindades budistas, em vez de adversários. A linha que divide ambas as doutrinas nem sempre é clara, mas muitas diferenças as separam também. O reino do Xintoísmo é o do ciclo da natureza, das estações do ano e da vida quotidiana; o Budismo, esse, é marcadamente filosófico, com preocupações metafísicas relacionadas com a morte e o que jaz para além dela. O povo serve-se de ambos conforme as ocasiões; por exemplo, preferem os rituais xintoístas para os casamentos e os budistas para os funerais. Mas os grandes actos de adoração em relação aos deuses e divindades são os matsuri, através dos quais o povo lhes faz a oferenda das suas orações, dádivas, reverência e alegria.


Na beira do lago, uma criança efectua a oferenda de uma dança que representa borboletas brincando. Yawata Hachimangu, Quioto. Foto de Gorazd Vilhar.


Os matsuri ligados ao cultivo do arroz celebram-se todo o ano e em todo o país. Variam muito na forma mas estão unidos por uma causa comum: pede-se aos deuses que façam crescer os cereais em abundância e que evitem desastres naturais ou agradece-se uma colheita generosa.
Na Primavera, nos arredores de Nara, precedendo o cultivo do arroz, grupos de miko (donzelas dos santuários sagrados) inauguram o processo da plantação através de uma dança estilizada. A sua virgindade simboliza a fertilidade que é procurada pelos jovens rebentos de arroz. Por um acto de magia mimética, todos os estados de crescimento do arroz são representados ritualmente e elevados à sua plenitude, desse modo solicitando um desenvolvimento igualmente auspicioso para a verdadeira colheita.



Miko com feixes de arroz. Haru Matsuri (Festival da Primavera), Nara. Foto de Gorazd Vilhar.



Durante o Verão japonês, chuvoso e intensamente quente, pede-se aos deuses que protejam não só as sementeiras mas também a saúde dos habitantes. Em Chichibu, no Kawase Matsuri, o espírito da divindade, de ordinário guardada num relicário no Santuário Chichibu, é transferido para um mikoshi (andor, santuário portátil). Após transportá-lo numa parada até ao rio, os carregadores, com grande regozijo, banham-no na água para uma purificação ritual. A divindade retribuirá o favor, quando o dourado Outono trouxer consigo uma abundância de grãos de arroz.
No Outono abundam os matsuri ligados a Inari, a divindade dos grãos. Para o Xintoísmo, de matriz profundamente animista, certos animais são mensageiros dos deuses. Nos ubíquos santuários Inari, esse animal é a raposa branca. Comprovando a observância do sincretismo tão típica dos japoneses, celebra-se no templo budista Hojoji, na prefeitura de Yamaguchi, o festival de Outono Kitsune no Yomeiri (Procissão do Casamento das Raposas). Duas personagens envergando luxuosas indumentárias e usando máscaras de raposa - a noiva e o noivo - são casados ritualmente, de modo a celebrar um antigo milagre, quando um casal de velhas raposas morreu e atingiu o estado de Buda. Em honra da sua vida longa e fiel, jovens mulheres tomam parte na procissão, na esperança de que, desse modo, o seu próprio casamento venha a ser longo e alicerçado na fidelidade. Mas trata-se do país do arroz e a associação do Xintoísmo com as raposas é inescapável. Além disso, existe um pequeno santuário dedicado a Inari no próprio terreno do templo budista. O festival termina com os comuns procedimentos dos rituais xintoístas ligados às colheitas: os participantes rezam por elas e colocam oferendas de arroz novo no altar.




Kitsune no Yomeiri. Foto Asahi Shinbun.




No Inverno, as comunidades agrícolas de todo o Japão começam a praticar ritos primevos para invocar o favor dos deuses em relação ao labor que se avizinha. Em cada mês de Fevereiro, na prefeitura de Aomori, por exemplo, os camponeses de Hachinoche reúnem-se para a dança da fertilidade, pisando a terra coberta de neve, de modo a revificá-la: é o Emburi Matsuri. Os esplêndidos penteados usados pelos dançarinos trazem a imagem pintada de Inari e de Ebisu, o deus da prosperidade.
Nas comunidades piscatórias, implora-se às divindades, através dos matsuri, pescas abundantes. Em Ohara, durante o Hadaka Matsuri (o chamado Festival Nu), os pescadores da área, envergando apenas um fundoshi (tanga) carregam dezoito mikoshi (andores) com divindades até às ondas do oceano.




Hadaka Matsuri. Foto de Gorazd Vilhar.


Um matsuri orientado para a família e celebrado em todo o país no Verão, desde o séc. VII d. C., é o Festival dos Mortos, O-Bon, herdado do calendário budista chinês. Os espíritos dos antepassados são convidados a regressar aos lares numa visita de três dias. Para isso, alumiam-se os caminhos com lanternas ou fogueiras. As famílias reúnem-se para honrar os antepassados. Há danças folclóricas chamadas bon-odori em todas as cidades, vilas e aldeias. As pessoas usam alegres yukata (quimonos leves de Verão).




Bon-odori. Foto de Gorazd Vilhar.


O maior festival é o do Ano Novo. Como os japoneses actuais seguem o calendário ocidental, tem lugar de 1 a 3 de Janeiro, ao contrário do Ano Lunar chinês, que é móvel, podendo calhar em qualquer dia dos finais de Janeiro ou em Fevereiro. Os preparativos começam no final do ano velho. Por volta de 29 de Dezembro, os escritórios do Governo, os negócios privados e as indústrias fecham portas. Segue-se um êxodo gigantesco das pessoas em direcção às suas vilas, aldeias e cidades natais, tornando muito difícil arranjar lugar em qualquer meio de transporte. As casas, entretanto, foram cuidadosamente limpas. À entrada, foram colocados ramos de pinheiro e penduradas cordas sagradas. As refeições tradicionais de Ano Novo foram preparadas. Na véspera do Ano Novo, as famílias comem um tipo de massa de fios compridos e finos, como um desejo simbólico de uma longa vida. À meia-noite, os templos de todo o país fazem soar devagar os sinos 108 vezes, de modo a expiar os 108 desejos perniciosos de que temos de nos livrar para conseguir uma vida plena, segundo o Budismo. Muitas pessoas, no dia seguinte, vão aos templos e santuários rezar por saúde e prosperidade.




Primeira oração de Ano Novo num santuário xintoísta. Muitos visitantes compram papéis da fortuna, como fizeram estas duas raparigas.


As crianças recebem presentes em dinheiro (otoshi-dama), dentro de envelopes tradicionais. Em casa, as famílias regalam-se com a comida tradicional (ozoni) e divertem-se com os jogos de Ano Novo. Um deles é o jogo karuta (do português “carta”), introduzido pelos lusitanos no séc. XVI. As cartas, entretanto, niponizaram-se completamente, sendo decoradas 50 delas com poemas ou provérbios e outras 50 com figuras que os ilustram. O objectivo é conseguir o maior número de pares de cartas cujo dizer e ilustração condigam. Num outro jogo de cartas, Hyaku-nin-isshu, 50 cartas têm um poema completo (obra de poetas famosos do séc. VII ao séc. XII) e uma figura do seu autor. Outras 50 têm apenas o último verso dos mesmos poemas. O objectivo é conseguir achar rapidamente a carta que tem o último verso do poema que um outro participante começou a ler do princípio. Para quem tem um espaço aberto para onde ir, também faz parte da tradição o lançamento de papagaios de papel.




Cartas Hyaku-nin-isshu.


Mas o festival Gion de Quioto, berço da cultura nipónica, é talvez o mais célebre de todos. Teve origem numa súplica dirigida pelo Imperador Seiwa ao kami do Santuário Yasaka, no sentido de fazer parar a devastadora peste do Verão de 869 d.C.. Quando a prece foi ouvida, a cidade organizou um enorme festival de agradecimento ao kami, no qual se destacava um pavilhão com rodas puxado à mão em cujo topo se viam alabardas medievais. Em 970, instituiu-se o festival como um acontecimento anual. Através dos séculos, o Gion Matsuri foi ganhando maior esplendor, com mais pavilhões embelezados de maneira cada vez mais imaginativa e rica. A sua construção é hoje de um refinamento sem par e muitos exibem verdadeiros tesouros e antiguidades, figuras históricas mecanizadas, cenas elaboradas e bandas de músicos que tocam flauta, tambor e shamisen. Acompanham-nos centenas de homens, mulheres e crianças em trajes gloriosos.




Mikoshi no Gion Matsuri. Foto de Philip Gordon.



Bem alto no carro alegórico que lidera a parada, vai o chigo, a Criança Celestial, um rapazinho púbere cuidadosamente seleccionado e santificado ritualmente de modo a ser aceite pela divindade. Ele próprio encarna o kami durante o festival e executa o rito de cortar a corda sagrada que inaugura a procissão, assegurando assim a bênção da divindade sobre a cidade durante o ano que se segue.



O chigo. Foto de Gorazd Vilhar.



Quioto orgulha-se ainda daquele que se diz ser o mais antigo festival do país: o Aoi Matsuri. Durante uma época de grandes cheias no séc.VI d.C., os cidadãos imploraram à deusa da água (Tamayorihimeno Mikoto) e ao seu filho, o deus do trovão (Kamo Wakeikazuchino Kami) que parassem com a sua acção devastadora. Desde então, na Primavera, tem lugar uma procissão onde mãe e filho divinos são conduzidos simbolicamente desde o Palácio Imperial de Quioto até, respectivamente, ao santuário de Shimogamo e de Kamigamo. Ora-se por uma colheita abundante. Por todo o lado se coloca aoi (gengibre selvagem), um lendário detentor de tempestades.




Aoi Matsuri. Foto de Gorazd Vilhar.



O túmulo do xógum da era Edo, Tokugawa Ieyasu, unificador do Japão, encontra-se no famoso e resplandecente Santuário Toshogu, em Nikko. Aí foi Ieyasu deificado e venerado como um kami, como acontece amiúde no país com as personalidades de excepção. Em Maio e Outubro recria-se o cortejo que, em 1617 d.C., levou os seus restos mortais para Nikko. Colocam-se oferendas no altar, executam-se danças xintoístas e há uma exibição de tiro ao arco a cavalo no estilo antigo (yabusame), tudo para agradar às divindades. A parada começa com dignitários a cavalo liderando companhias de samurai e de guardas vestidos a rigor com armaduras e armas. Seguem-se homens carregando falcões ou empunhando estandartes, homens mascarados de leões, de macacos ou de personagens mitológicas, padres xintoístas, miko, pajens e músicos tradicionais. Os espectadores empilhados nos passeios das avenidas sentem então reviver a história ilustre do seu país.



Samurai no cortejo em honra de Tokugawa Ieyasu, em Nikko. Foto de Gorazd Vilhar.



As etapas da vida não são esquecidas. Os festivais dedicados às crianças são famosos. A 15 de Novembro festeja-se o bem-amado festival da infância Shichi-Go-San (Sete-Cinco-Três). Nesse dia, meninos de cinco anos e meninas de sete e de três, trajando quimonos luxuosos, são levados aos santuários xintoístas para serem abençoados pela sua divindade protectora. O Hina-Matsuri (Festival das Bonecas), a 3 de Março, é dedicado à felicidade das meninas pequenas. Exibem-se então em casa bonecas representando figuras da corte imperial.



Hina Matsuri.



A 5 de Maio é o Koi-Matsuri (Festival das Carpas), em honra dos meninos (hoje é considerado o dia de todas as crianças mas, na verdade, ainda está muito orientado apenas para os rapazes). Figuras de samurai são exibidas em casa e carpas feitas de tecido são postas a voar ao vento, atadas a postes ou cordas. Exprime-se assim o desejo de que os meninos se tornem tão vigorosos quanto as carpas, capazes de nadar teimosamente contra a corrente.




Koi-Matsuri.Foto Asahi Shinbun.


Celebram-se festivais em honra do florescimento das sakura (flores de cerejeira), da lua cheia de Outono, do longo sono do vulcão do Monte Fuji… Particularmente interessantes para nós, portugueses, são os festivais que evocam a nossa chegada ao país dos Japões, como o Festival da Espingarda de Tanegashima (Teppo Matsuri), sobre o qual escrevi no artigo "Japão! Japão! A Minha Primeira Viagem ao País do Sol Nascente", o primeiro post deste blogue. Os matsuri são sempre festas que alegram os olhos e os corações. Contudo, para que qualquer deles seja possível, tanto o local como os participantes têm de passar primeiro, isto é, antes de ir em busca de protecção divina, por um ritual de purificação. A divindade é convidada a descer ao local do festival, onde lhe são dirigidas preces. Oferendas generosas – sob a forma de comida e bebida de qualidade, música e dança sagrada ou peças de teatro – devem ser feitas ao longo de todo o festival no santuário dedicado à divindade em questão.




Oferenda de alimentos. Aoi Matsuri, Quioto. Foto de Gorazd Vilhar.


Os elaborados andores (mikoshi) são um dos pontos altos das paradas. Sob o incessante bater dos tambores, é considerado uma honra e um privilégio carregá-los pelas ruas, a despeito do seu peso, muitas vezes tremendo.




Homens carregando um mikoshi no Torigoe Matsuri, Tóquio. Foto Asahi Shinbun.


Partilhar esse peso tem um efeito catártico, provocando uma renovação espiritual tanto nos carregadores como nos espectadores entusiasmados. Nenhuma despesa é demais para venerar os deuses e são usados apenas os melhores materiais na confecção dos mikoshi e das indumentárias cerimoniais, em geral de seda pura.
O nível de qualidade dos festivais japoneses não tem rival em todo o mundo.



Imagens de outros matsuri:


Matsuri emTokushima. Foto Asahi Shinbun.





Caminhando sobre chamas num matsuri em Kumamoto. Foto Asahi Shinbun.




Outro festival em Kumamoto. Foto Asahi Shinbun.



Homens carregando mikoshi num matsuri em Fukuoka. Foto Asahi Shinbun.



Matsuri em Fukuoka. Foto Asahi Shinbun.



Matsuri em Fukuoka. Foto Asahi Shinbun.



Matsuri de Verão em Kita Kyushu. Foto Asahi Shinbun.



Natsu Matsuri (Festival de Verão), Kanagawa. Foto Asahi Shinbun.




Gion Matsuri em Narita, Chiba. Foto Asahi Shinbun.

Festival da Garça em Quioto, no qual se pede aos deuses boa sorte e longevidade.


Em Yamaguchi. Foto Asahi Shinbun.



Neste matsuri em Nagasaki, há uma competição entre bebés para ver quem chora com mais força. Foto Asahi Shinbun.




Bibliografia: Gorazd Vilhar & Charlotte Anderson, Matsuri, World of Japanese Festivals, Shufunotomo Co., Ltd, Tokyo, Japan, 1994.
Pictorial Encyclopedia of Japanes Culture. The Soul and Heritage of Japan, Gakke, Tokyo, 1987.
Shashinki. Matsuri., Asahi Shinbunsha, 1985.